Vinícius de Morais
Melhor não tê-los!
Mas se não os temosComo sabê-lo?
Se não os temosQue de consulta
Quanto silêncio
Como o queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voaTranspõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaçoQue a esposa fica!
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníacoComeu botão.
Filho? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
Vida Vivida
Masaharu Taniguchi
Quem disse que sou um covarde
Sucumbindo ante as dificuldades?
Quem disse que sou corpo feito de alimentos?
A Vida não é figura de cera, não é figura de gesso.
Eu sou ciclone, sou furacão, sou redemoinho.
Eu transformo o ambiente, como se dobrasse um arame,
No aspecto que eu desejo.
Eu sou uno com a poderosa força Que criou o Universo.
Eu sou a própria energia Que da atmosfera faz o relâmpago,
Que transforma os raios solares em arco-íris,
Que faz eclodir do negro solo as rubras flores,
Que faz explodir os vulcões.
E que criou o sistema solar a partir da nebulosa.
Que é ambiente?
Que é destino?
Na hora exata, quando eu quiser,
Eu me liberto do mais triste destino
Como o peixe que se esgueira pelas fendas.
Não sou ferro,
Não sou argila,
Sou Vida. Sou energia viva.
Não sou matéria inerte
Moldado pela situação
Ou pelo destino.
Eu sou como o ar:
Quanto mais comprimido for,
Mais força manifesto.
Tal como a bomba explode a rocha.
Eu sou Vida que, No momento certo,
Rompe impetuosamente a situação ou destino.
Sou também como a água.
Nenhuma barreira poderá represar-me.
Se barrarem a minha passagem
Colocando grandes pedras no meu leito,
Converter-me-ei em torrente, cachoeira,
E saltarei impetuosamente.
Se me fecharem todas as saídas,
Eu me infiltrarei no subsolo.
Permanecerei oculto por algum tempo,
Mas não tardarei a reaparecer.
Em breve estarei jorrando
Através de fontes cristalinas
Para saciar deliciosamente a sede dos transeuntes.
Se me impedirem também de penetrar no subsolo
Eu me transformarei em vapor,
Formarei nuvens e cobrirei o céu.
E, chegando a hora,
Atrairei furacão, provocarei relâmpagos e trovões,
Desabarei torrencialmente, inundarei e romperei
Quaisquer diques e serei finalmente um grande oceano.
No Vento Livre do Seu Arbítrio
Neimar de Barros
Quantos anos você tem?
15, 20, 30 ou tá vivendo de gorgeta?
Sim, porque depois dos 50, é gorgeta.
Neste mundo poluído, conturbado,
Passar dos 50 é fazer 13 pontos...
Quantos anos você tem?
Você tem idade para saber o que é certo
Ou você só tem idade para viver o que é errado?
Quantos anos você tem?
Você tem idade para tomar vergonha
Ou a vergonha se consumiu na sua sociedade de consumo?
Quantos anos você tem?
Você tem idade para enfrentar, assumir e realizar
Ou você só tem idade para entrar na onda?
Você é um rato ou um homem?
Você prefere queijo ou amor?
Você está na ratoeira da massificação
Ou está no vento livre do seu arbítrio?
Quantos anos você tem?
Você sabe que não existe presente?
Que o "que" desta linha já é passado
E o futuro é o "que" que não escrevi?
Quantos anos você tem?
Você sabe que o presente não é deste mundo,
O presente é a eternidade vivida.
Quantos anos você tem?
15, 20, 30 ou está vivendo de gorjeta?
O que é que você já fez?
Atravessou cego na rua?
Deu esmola?
Pô, isso qualquer escoteiro faz!...
Quantos anos você tem de GENTE?
Você já despertou como GENTE?
Você já andou como GENTE?
Ou até agora foi um instrumento de repetição?
Você sabe o seu papel no mundo,
Ou é um espermatozóide crescido,
Na eterna espera de um óvulo?
Quem é você?
Quantos anos você tem?
Olha, só a sua consciência pode responder isso!
Hoje, eu sei quem eu sou,
Sei minha idade,
Mas já fui um autômano como você,
Felizmente, me encontrei,
Me encontrei, no vento livre do meu arbítrio!
Sertões e SertõesWilson Aragão
Sou peregrino na estrada
Eu quero a vida voltar
Cicatrizando os caminhos
Renascer e plantar
Sou peregrino na noite
Meu luar não se foi
Muitos manos ficaram, nem tudo se foi
E ficaram guardados atrás da porta
Meu fifó, meu cofo e a carabina
Minha sina de ser um filho da terra
e viver pelo mundo que não é meu
Ó Minas, mira bem para o resto da estrada de ferro
Quantos braços cravaram tantos dormentes
Para ouvir o trem na curva apitar
E apitou e até nunca mais
Carcará cantando na estrada asfaltada
São os traços das eras chegadas pra quem duvidou
Urubus no céu, no canto alguns tabaréus
Resto de amor e respeito - eu tiro o chapéu
Arde ao sol de janeiro, planícies montanhas
Coivaras acesas de pés de umburanas, chapadas
queimadas
Peduros malhando nos licurizais
Trilham meus pés catingueiros ardentes estradas
Revejo algarobas juremas queimadas
Tropéis de saudades, sertões e sertões
Calumbis gravatás
Vasta serrania cinzenta
Vai pensamento sonha
Abre as porteiras da terra
Vai pensamento corta esse
céu leva o amor
e traz a poesia para o meu cancioneiro
Fico na estrada pisando a lembrança de tanta vivência
Sentindo a ausência dos meus companheiros
Que em tempo passados, pisaram na estrada e até nunca
mais.


Mãe, Adorei seu Blog, Aliás tudo que vem de você eu AMO. Tenho orgulho de ser sua filha, você é tão inteligente, tem um otimo censo Critico e bom português, tudo o que é preciso para ter um maravilhoso Blog, Beijos e parabéns.
ResponderExcluirPorra Nai, Neimar de Barros me surprendeu nessa poesia Quantos anos voce tem. Maravilhosa, não conhecia
ResponderExcluirRealmente Julie entre as tantas coisa com falso moralismo que Neimar escreveu esse poema se salva, eu gosto...
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